Palestra inicial discutiu a indústria de fundos, a crise global e as perspectivas para o setor
O 5º Congresso ANBID de Fundos de Investimento, principal evento do setor da indústria de fundos, teve início ontem (26/05). O presidente do Banco Central (BC) Henrique Meirelles em discurso de abertura apontou os objetivos adotados para a política monetária, que deverá ser o de assegurar o equilíbrio macroeconômico, manter a inflação na meta e manter a flutuação cambial. “No regime de metas de inflação, a política monetária se volta necessariamente para as condições econômicas internas, e não para o equilíbrio do balanço de pagamentos, como seria o caso no regime de metas cambiais”, afirmou. O presidente do BC pediu também cautela às instituições financeiras que atuam no segmento de fundos de investimento e na gestão dos ativos que administram. "As lições aprendidas com a crise internacional devem evitar que cometamos os mesmos erros no Brasil, como excesso de euforia, falta de transparência e incorreta previsão de risco, que caracterizaram os mercados americanos na última década", disse.
Após a abertura de Meirelles, que também contou com a participação do presidente da ANBID, Marcelo Giufrida, quatro palestrantes deram continuidade no congresso por meio de um painel mediado por Alexandre Zákia, vice-presidente da ANBID. Eles apresentaram as perspectivas do setor diante do cenário de crise econômica internacional.
Cenário econômico brasileiro
Luiz Carlos Mendonça de Barros, diretor estrategista da Quest Investimentos, fez um panorama sobre as mudanças pela qual a economia do Brasil sofreu após os anos de governo dos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula. Segundo ele, as gestões proporcionaram mudanças positivas para a moeda brasileira. “Deixamos de ser uma moeda isolada para participar, ainda que de forma pequena, do cenário internacional”, disse. Mendonça de Barros também salientou a importância da China para a exportação nacional. “A China é hoje nossa maior importadora de commodities, o que contribuiu para obtermos a forte reserva de capital”, disse.
Impactos e perspectivas para o setor de asset management global e local
Guilherme Lima, sócio da consultoria McKinsey & Company, apresentou um estudo elaborado pela McKinsey Global Asset Management Survey – repartição da empresa - onde conclui que em função da má performance dos investimentos por conta da crise financeira, o patrimônio da indústria mundial de fundos, que somava cerca de US$ 39,5 trilhões, em 2007, foi reduzido para US$ 30 trilhões. O estudo aponta que os níveis apresentarão melhoras somente entre os anos de 2012 e 2013. Contudo, Guilherme Lima disse que a perda de patrimônio de fundos no Brasil foi muito mais branda.“A queda foi de apenas 1%, passando de R$ 1,201 trilhão, em 2007, para R$ 1,191 trilhão”, afirmou.
Impactos da crise sobre a indústria internacional de fundos
Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú-Unibanco e diretor do Instituto de Estudos e Política Econômica – Casa das Garças, disse que o pior da crise passou e acredita na recuperação dos mercados. Entretanto, é preciso ter consciência de que não haverá retorno aos patamares dos últimos anos e propõe a criação de uma nova realidade. “Quanto mais se acredita numa volta ao passado, pior”, disse. Goldfajn frisou também que a sociedade sofreu com o impacto da crise e defende que os esforços para a reestruturação da economia mundial devem estar concentrados em estratégias que se adaptem a uma demanda menor de consumo. “O crescimento econômico mundial nos próximos 10 anos pode ocorrer num ritmo mais lento para que o problema possa efetivamente ser digerido”, disse.
Fundos de multimercados
Luis Stuhlberger, sócio-diretor da Credit Suisse Hedging-Griffo fechou o primeiro painel de palestras com uma análise sobre os fundos de multimercados, que chamaram a atenção pelos resultados este ano no cenário brasileiro. Segundo ele, a categoria acumulou no ano rentabilidade de 200% do CDI contra 40% em 2008. “Não houve perdas significativas para o investidor brasileiro", afirmou.
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