quarta-feira, 27 de maio de 2009

PRESIDENTE DO BANCO CENTRAL HENRIQUE MEIRELLES ABRE 5º CONGRESSO ANBID DE FUNDOS DE INVESTIMENTO


Palestra inicial discutiu a indústria de fundos, a crise global e as perspectivas para o setor


O 5º Congresso ANBID de Fundos de Investimento, principal evento do setor da indústria de fundos, teve início ontem (26/05). O presidente do Banco Central (BC) Henrique Meirelles em discurso de abertura apontou os objetivos adotados para a política monetária, que deverá ser o de assegurar o equilíbrio macroeconômico, manter a inflação na meta e manter a flutuação cambial. “No regime de metas de inflação, a política monetária se volta necessariamente para as condições econômicas internas, e não para o equilíbrio do balanço de pagamentos, como seria o caso no regime de metas cambiais”, afirmou. O presidente do BC pediu também cautela às instituições financeiras que atuam no segmento de fundos de investimento e na gestão dos ativos que administram. "As lições aprendidas com a crise internacional devem evitar que cometamos os mesmos erros no Brasil, como excesso de euforia, falta de transparência e incorreta previsão de risco, que caracterizaram os mercados americanos na última década", disse.

Após a abertura de Meirelles, que também contou com a participação do presidente da ANBID, Marcelo Giufrida, quatro palestrantes deram continuidade no congresso por meio de um painel mediado por Alexandre Zákia, vice-presidente da ANBID. Eles apresentaram as perspectivas do setor diante do cenário de crise econômica internacional.

Luiz Carlos Mendonça de Barros, diretor estrategista da Quest Investimentos, falou sobre a importância da China para a economia brasileira

Cenário econômico brasileiro

Luiz Carlos Mendonça de Barros, diretor estrategista da Quest Investimentos, fez um panorama sobre as mudanças pela qual a economia do Brasil sofreu após os anos de governo dos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Lula. Segundo ele, as gestões proporcionaram mudanças positivas para a moeda brasileira. “Deixamos de ser uma moeda isolada para participar, ainda que de forma pequena, do cenário internacional”, disse. Mendonça de Barros também salientou a importância da China para a exportação nacional. “A China é hoje nossa maior importadora de commodities, o que contribuiu para obtermos a forte reserva de capital”, disse.

Impactos e perspectivas para o setor de asset management global e local

Guilherme Lima, sócio da consultoria McKinsey & Company, apresentou um estudo elaborado pela McKinsey Global Asset Management Survey – repartição da empresa - onde conclui que em função da má performance dos investimentos por conta da crise financeira, o patrimônio da indústria mundial de fundos, que somava cerca de US$ 39,5 trilhões, em 2007, foi reduzido para US$ 30 trilhões. O estudo aponta que os níveis apresentarão melhoras somente entre os anos de 2012 e 2013. Contudo, Guilherme Lima disse que a perda de patrimônio de fundos no Brasil foi muito mais branda.“A queda foi de apenas 1%, passando de R$ 1,201 trilhão, em 2007, para R$ 1,191 trilhão”, afirmou.

Luis Stuhlberger, sócio-diretor da Credit Suisse Hedging-Griffo fechou o primeiro painel de palestras

Impactos da crise sobre a indústria internacional de fundos

Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú-Unibanco e diretor do Instituto de Estudos e Política Econômica – Casa das Garças, disse que o pior da crise passou e acredita na recuperação dos mercados. Entretanto, é preciso ter consciência de que não haverá retorno aos patamares dos últimos anos e propõe a criação de uma nova realidade. “Quanto mais se acredita numa volta ao passado, pior”, disse. Goldfajn frisou também que a sociedade sofreu com o impacto da crise e defende que os esforços para a reestruturação da economia mundial devem estar concentrados em estratégias que se adaptem a uma demanda menor de consumo. “O crescimento econômico mundial nos próximos 10 anos pode ocorrer num ritmo mais lento para que o problema possa efetivamente ser digerido”, disse.

Fundos de multimercados

Luis Stuhlberger, sócio-diretor da Credit Suisse Hedging-Griffo fechou o primeiro painel de palestras com uma análise sobre os fundos de multimercados, que chamaram a atenção pelos resultados este ano no cenário brasileiro. Segundo ele, a categoria acumulou no ano rentabilidade de 200% do CDI contra 40% em 2008. “Não houve perdas significativas para o investidor brasileiro", afirmou.


Conheça a ANBID
Conheça o 5º Congresso ANBID de Fundos de Investimento

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